Meditando

IX. EremitaVou começar dizendo claramente: esvaziar a mente não é algo para mim.

Pronto. Eu disse.

Quando alguém fala que, para meditar, é preciso não pensar em nada, deixar a mente vazia, suprimir toda linha de atividade mental, sei que isso não vai dar certo. Não para mim. Sei de algumas pessoas que tem tal capacidade, mas esse tipo de meditação não é algo que me ajude a crescer espiritualmente.

Não, eu tenho uma mente ativa: estou sempre pensando em algo. Culpe meu lado escritor, culpe a ancestralidade ocidental, culpe quem quiser… Mas existe algo em minha mente a todo o tempo. Quando alguém pergunta sobre o que estou pensando e eu digo nada, não é verdade que minha mente esteja vazia: apenas não há nada de relevante a ser dito (ou você quer ouvir algo como será que alguém já criou uma tirinha em quadrinhos sobre picles falantes? – já procurei no Google e não encontrei – ou outro pensamento aleatório assim?).

Agora que isso está esclarecido, você deve estar se perguntando: Então sobre o que você quer falar hoje, Marcelo?

A resposta é simples: Meditação ativa.

É claro que deve haver um nome mais pomposo para isso, mas o tipo de meditação que me atrai e me consome é o do tipo que obriga a uma visualização, uma busca, sem a passividade do esvaziar de mentes.

E como fazer isso com o tarot? Bom você ter perguntado isso…

Meditação ativa com o tarot

Tenha certeza de estar num lugar tranquilo, sem telefones a tocar, sem pessoas a querer conversar. Se for o caso, fique até longe de animais de estimação. Em alguns casos, ficar num quarto isolado (mas com iluminação) e colocar uma música instrumental de fundo ajuda.

Escolha então uma das lâminas do tarot. Esse método de escolha costuma ser feito da seguinte maneira:

  • uma carta aleatória; ou
  • uma carta cujo significado você quer se aprofundar; ou
  • uma carta que tem relação com o momento em que você está vivendo.

Então, olhando para a carta diante de você, coloque-se numa posição confortável, relaxada, e comece a focar na sua respiração. Inspire e expire. Faça isso por ao menos nove vezes e, se algo perturbar essa imersão inicial, comece de novo.

Mantenha o foco na carta. Veja cada um dos detalhes ali presentes. Feche os olhos. Recrie e imagem da carta em sua mente. Abra os olhos e verifique se falta algo ou se algo está fora do lugar. Feche-os novamente e torne a carta o todo em sua mente.

Se algo estranho passar pelos seus pensamentos, transforme-o em nuvem e deixe que se dissipe. Volte a construir a carta no seu espaço mental.

Quando estiver tudo pronto, torne a paisagem da carta tão grande quanto necessário para que você adentre ali. Visualize-se dentro da carta. Contemple cada um dos elementos ali e interaja com eles. Toque-os. Dê personalidade às personagens diante de você e converse com elas. Escute o que elas têm a dizer. Faça as perguntas que achar necessário.

Sinta a energia do lugar. Perceba como estar naquela carta faz com que você se sinta diferente.

Então, quando estiver satisfeito, agradeça a quem ali lhe orientou e retorne para o lado de cá da carta, visualizando-a apenas como a imagem estática de antes. Depois, faça com que a imagem se encolha até se transformar na carta que era e, lentamente, abra os olhos.

Respire fundo por três vezes, tendo a consciência de que a carta está agora apenas na sua mão, e olhe ao redor, retornando de fato para o local onde você estava antes de tudo isso começar.

Se achar necessário (eu recomendo isso!), anote as impressões que teve. Meditar assim sempre traz algo de novo.

E, se quiser compartilhar com a gente suas impressões de uma meditação assim, é só escrever algo nos comentários desta postagem.

Justiça e Força

Justiça e ForçaVocê pega seu Tarot de Marselha, estuda os Arcanos Maiores, e encontra a certeza de que tudo está correto nos planos intuitivos e racionais, aceitando que Justiça seja o oitavo Arcano e Força seja o décimo-primeiro. Afinal, como discutir com um tarot tão antigo?

Aí você resolve pegar seu Rider-Waite-Smith e, quando passa a estudar, nota que o oitavo Arcano é agora a Força, restando à Justiça o décimo-primeiro lugar. Como esse é um tarot feito em 1909 (recente, portanto), deve haver algum erro, certo?

A resposta curta é: depende.

A resposta mais aceita é que foram usadas correspondências diferentes. Aceita-se isso e move-se em frente. Fácil, não é?

Só que, em qualquer estudo profundo, respostas fáceis podem camuflar a verdade que se deseja encontrar. Eu apresento aqui uma das versões que explica qual a ordem que eu considero (na minha humilde condição de eterno aprendiz) a mais correta.

Durante a jornada do Louco, que passa pelo plano Material (infância, aprendizado), atravessa o plano Mental (adolescência, companheirismo), e chega ao plano Espiritual (fase adulta, maestria), cada Arcano Maior tem seu lugar. Neste caso, analisemos os Arcanos que compõem o plano Mental (Arcanos VIII a XIV):

Depois de ter conseguido o sucesso sobre o plano Material (com VII. O Carro), o Louco se coloca em jornada pelo plano Mental. E o que ele precisa fazer? Dominar seus instintos básicos, suas feras interiores, sua Força. Isso faz com que ele possa buscar em seu íntimo o conhecimento que o Eremita traz, o que permite que ele tenha a sabedoria para lidar com a natureza cíclica que A Roda da Fortuna lhe reserva. Como consequência, isso o leva ao equilíbrio que é esperado da Justiça.

Portanto, é a consciência de sua força de vontade, de sua empatia, que leva ao equilíbrio. Isso permite que a razão (processo secundário) derive do domínio da emoção (processo primário): agimos pelo instinto antes de termos capacidade de desenvolver um processo racional.

Nesse sentido, via de regra concordo com a posição dos Arcanos de acordo com a tradição criada por Rider-Waite-Smith.

Mas sabe por que eu disse que concordo com isso via de regra? Porque nem sempre sigo essa ordem.

Certo, Marcelo. Você está começando a confundir a gente agora.

Bem, terça-feira é dia de discussões, não é? Além do mais, minha primeira resposta para essa controvérsia foi depende. 😉

O que sigo, de fato, é a ordem apresentada pelo tarot que estou usando no momento. Se pego um tarot da tradição de Marselha, considero certo que Justiça é VIII e Força é XI. Mas, se estou usando um tarot da tradição RWS, não tenho dúvidas acerca de colocar a Força como VIII e a Justiça como XI. É com aquela ferramenta que estou trabalhando no momento, e é usando a egrégora com que ela foi criada que interpretarei as lâminas que me aparecerem.

Contudo, se eu estiver tratando genericamente de um estudo tarológico, e não me for apresentado um tarot concreto com que trabalhar, vou assumir que Força é VIII e Justiça é XI, como se eu estivesse lidando com um tarot RWS. Ou seja, salvo prova em contrário, sigo a interpretação de A. E. Waite.

E você, como lida com esses dois Arcanos Maiores?

Lidando com a dor

3oSAcabei me deparando com um pequeno poema de Ijeoma Umebinyuo, que pode ser traduzido como Três caminhos para a cura:

  1. Você deve deixar a dor visitá-lo.
  2. Você deve deixar que ela lhe ensine.
  3. Você não deve deixar que ela se demore demais.

Meditando sobre isso, pensei numa tiragem que pode ser utilizada para lidar com a dor que sentimos. Afinal, se aprendermos com nossa dor, estaremos em um constante processo de cura.

Carta 1: Como a dor está se expressando?
Às vezes é algo mais explícito, mas outras é algo mais sutil, confundindo-se com depressão ou raiva, com culpa ou apatia.

Carta 2: O que a dor ensina?
O que tenho de aprender com ela? Quais facetas dela são reflexos do que eu preciso levar para a vida?

Carta 3: Como deixá-la ir embora?
Como posso me libertar dela? O que preciso fazer para que ela vá embora e eu siga meu caminho?

Essas três cartas indicam um dos possíveis caminhos para a cura da dor que sentimos. Deixar que essas dores e mágoas em nossos corações nos ensinem algo e depois partam é fundamental para que possamos crescer e seguir em frente.

E como você lida com a dor?