5168-05 Profissão: tarólogo

5168Entre na página da Classificação Brasileira de Ocupações (CBO daqui em diante). Digite, no campo de pesquisa da barra lateral direita, a palavra tarólogo e clique em pesquisar.

Se nada mudou, você chegará a uma página de resultados que aponta o código 5168-05 como sendo correspondente à ocupação. Clique no link em negrito escrito tarólogo lá naquela página.

Uma nova página se abre, contendo a descrição da família 5168: Esotéricos e paranormais. Logo abaixo, nos títulos, junto com cartomante, leitor de oráculos, vidente e runemal você verá a palavra tarólogo.

E quem são os tarólogos para o Ministério do Trabalho e Emprego? São aqueles que orientam pessoas e organizações, elegem momentos e locais por meio de oráculos ou de dons de paranormalidade. Podem ministrar cursos.

Legalmente somos reconhecidos. Ainda temos o trabalho de lidar com o preconceito daqueles que atribuem significados sombrios aos oráculos e, além disso, precisamos nos desvencilhar dos que buscam se aproveitar da credulidade alheia (sim, tarólogos de poste, estou falando sobre vocês), mas é um passo importante.

Mas não se prenda apenas a isso. A CBO indica as competências que nós, tarólogos, precisamos ter. Para poupar o trabalho de vocês, compilei tudo na imagem que ilustra esta postagem. Contudo, por ser de relevância extrema, replico-as aqui também:

  1. Demonstrar capacidade de transmitir conhecimento
  2. Manter equilíbrio
  3. Cultivar ética
  4. Demonstrar capacidade de análise e síntese
  5. Demonstrar coerência
  6. Demonstrar habilidade na interação com o público
  7. Desenvolver cultura geral
  8. Demonstrar empatia
  9. Demonstrar senso crítico
  10. Comunicar-se fluentemente (ser comunicativo)
  11. Manter-se discreto
  12. Manter-se imparcial
  13. Respeitar o livre arbítrio do cliente
  14. Demonstrar paciência

14 competências, que nos remete ao Arcano XIV. A Temperança, que fala sobre equilíbrio e moderação.

Assim, convido vocês a reavaliarem o que têm feito no dia a dia como tarólogos. Estamos todos cultivando essas 14 competências ou precisamos encontrar nosso ponto de equilíbrio uma vez mais? O que nos falta? O que precisamos aprimorar?

Ou, em outras palavras, o que, de fato, transforma nossa prática em algo que possa realmente orientar quem busca nossa ajuda?

Justiça e Força

Justiça e ForçaVocê pega seu Tarot de Marselha, estuda os Arcanos Maiores, e encontra a certeza de que tudo está correto nos planos intuitivos e racionais, aceitando que Justiça seja o oitavo Arcano e Força seja o décimo-primeiro. Afinal, como discutir com um tarot tão antigo?

Aí você resolve pegar seu Rider-Waite-Smith e, quando passa a estudar, nota que o oitavo Arcano é agora a Força, restando à Justiça o décimo-primeiro lugar. Como esse é um tarot feito em 1909 (recente, portanto), deve haver algum erro, certo?

A resposta curta é: depende.

A resposta mais aceita é que foram usadas correspondências diferentes. Aceita-se isso e move-se em frente. Fácil, não é?

Só que, em qualquer estudo profundo, respostas fáceis podem camuflar a verdade que se deseja encontrar. Eu apresento aqui uma das versões que explica qual a ordem que eu considero (na minha humilde condição de eterno aprendiz) a mais correta.

Durante a jornada do Louco, que passa pelo plano Material (infância, aprendizado), atravessa o plano Mental (adolescência, companheirismo), e chega ao plano Espiritual (fase adulta, maestria), cada Arcano Maior tem seu lugar. Neste caso, analisemos os Arcanos que compõem o plano Mental (Arcanos VIII a XIV):

Depois de ter conseguido o sucesso sobre o plano Material (com VII. O Carro), o Louco se coloca em jornada pelo plano Mental. E o que ele precisa fazer? Dominar seus instintos básicos, suas feras interiores, sua Força. Isso faz com que ele possa buscar em seu íntimo o conhecimento que o Eremita traz, o que permite que ele tenha a sabedoria para lidar com a natureza cíclica que A Roda da Fortuna lhe reserva. Como consequência, isso o leva ao equilíbrio que é esperado da Justiça.

Portanto, é a consciência de sua força de vontade, de sua empatia, que leva ao equilíbrio. Isso permite que a razão (processo secundário) derive do domínio da emoção (processo primário): agimos pelo instinto antes de termos capacidade de desenvolver um processo racional.

Nesse sentido, via de regra concordo com a posição dos Arcanos de acordo com a tradição criada por Rider-Waite-Smith.

Mas sabe por que eu disse que concordo com isso via de regra? Porque nem sempre sigo essa ordem.

Certo, Marcelo. Você está começando a confundir a gente agora.

Bem, terça-feira é dia de discussões, não é? Além do mais, minha primeira resposta para essa controvérsia foi depende. 😉

O que sigo, de fato, é a ordem apresentada pelo tarot que estou usando no momento. Se pego um tarot da tradição de Marselha, considero certo que Justiça é VIII e Força é XI. Mas, se estou usando um tarot da tradição RWS, não tenho dúvidas acerca de colocar a Força como VIII e a Justiça como XI. É com aquela ferramenta que estou trabalhando no momento, e é usando a egrégora com que ela foi criada que interpretarei as lâminas que me aparecerem.

Contudo, se eu estiver tratando genericamente de um estudo tarológico, e não me for apresentado um tarot concreto com que trabalhar, vou assumir que Força é VIII e Justiça é XI, como se eu estivesse lidando com um tarot RWS. Ou seja, salvo prova em contrário, sigo a interpretação de A. E. Waite.

E você, como lida com esses dois Arcanos Maiores?

Tarot manco

5oPCostumo chamar de tarot manco um baralho de tarot que não possui todas as suas cartas. Seu principal uso é o didático: no início de sua jornada pelos Arcanos, um neófito não tem conhecimento de todas as cartas, então, para começar a estudar algumas tiragens, fazemos uso apenas dos Arcanos que ele domina. Isso garante que ele comece a ter maior familiaridade com essas lâminas e com os métodos de tiragens que usará por toda a vida.

Mas é claro que usar um tarot manco não tem uso divinatório ou de autoconhecimento: o oráculo é formado por 78 lâminas. Tirar algumas (ou pior: tirar a maioria) é mudar toda a maneira de se trabalhar com ele.

Aí chegamos a uma questão importante: tem gente que usa um tarot manco por toda a sua vida. Sabia disso?

Vamos a um paralelo. Você vai até um runemal (um oraculista versado nas runas Futhark, salvo melhor explicação). São 24 runas no total (com uma runa em branco adicional, utilizada por alguns, mas nem todos, pois sua origem é fruto de discussões – mas não sou runemal, então não vou me aprofundar no assunto). Na hora da consulta com esse runemal ele diz Olha, vamos usar somente estas 8 runas: ansuz, berkana, kano, dagaz, ehwaz, fehu, gebo e hagalaz; são suficientes para eu lhe orientar.

Se o oráculo das runas utiliza 24 (ou 25) pedras, por que usar apenas 8 (pouco mais de 28% do todo)?

Ou ainda, você vai até um cartomante que se especializa em baralho cigano (Le Petit Lenormand), e ele diz que vai usar apenas 10 das 36 cartas do oráculo. Ele afirma que é o suficiente.

Imagino que você, em sua busca por conhecimento e orientação, vá, no mínimo, achar estranha a postura desses dois oraculistas.

Contudo, quando se trata do tarot, conheço pessoas que afirmam que apenas os Arcanos Maiores (22 das 78 lâminas, ou pouco mais de 28% do total) bastam para qualquer leitura. E vejo isso até mesmo com pessoas que dizem estudar o oráculo há anos.

Por que isso acontece? Tenho algumas teorias:

  • desconhecem o tarot, por não terem estudado ou por terem sido ensinados de maneira parcial
  • consideram que 78 cartas é muito para se estudar
  • acham que saber os desafios que o universo coloca diante de nós (Arcanos Maiores) é mais importante do que entender o que podemos fazer a respeito disso (Arcanos Menores)
  • compraram um baralho contendo apenas os Arcanos Maiores e acreditam que aquilo seja todo o tarot

Não sei exatamente. São teorias. O que se passa na cabeça de cada um é um verdadeiro mistério…

…mas não consigo conceber como usar propositalmente um tarot manco vai lhe dar todas as nuances de respostas que o oráculo proporciona.

Mas isso rende discussão, não é? O que pensa disso?

Cartas invertidas

xii-peanutsAh, este é um tópico controverso e muito bem-vindo numa discussão. Pergunte a três tarólogos como lidar com cartas que aparecem invertidas numa tiragem e você receberá quatro respostas diferentes.

Alguns lidam com cartas invertidas dizendo que a energia delas está bloqueada. Outros associam o inverso do significado normal. Certas pessoas preferem atribuir interpretações ainda mais diversas a essas cartas…

E eu? Bem, considerando a história e as anedotas que já ouvi acerca das cartas invertidas (citadas originalmente por Etteilla em seus livros), e, principalmente, minha experiência com o tarot ao longo dos anos, vejo as cartas invertidas de uma maneira especial:

Cartas invertidas estão envoltas em luzes piscantes de neon e carregam uma bandeira escrito Olhe para mim

Sim, é bem isso mesmo. Cartas que aparecem invertidas numa tiragem possuem o mesmo significado de antes, mas estão daquela forma para chamar a atenção do tarólogo. Elas dizem que algo sobre elas é especial, que é importante, que tem maior relevância para a leitura e interpretação daquela situação. Elas carregam mais energia e têm algo a mais sobre elas.

Mas isso sou eu e minha experiência. Como eu mencionei antes, há diversas interpretações possíveis para as cartas invertidas…

E você, como as interpreta?

Pamela Colman Smith

Pamela Colman SmithAcredito que alguns de vocês reconheçam o nome, mas não a face. A pessoa da foto à esquerda é Pamela Colman Smith, responsável por ter criado a arte utilizada no tarot idealizado por Waite e publicado por Rider. É a ela que devemos a tradução dos significados dos números dos Arcanos Menores em imagens.

Contudo, ela não recebeu o mérito devido naquela época. Mesmo pertencendo à Golden Dawn, Ordem Iniciática de que Waite também fazia parte, aparentemente seu irmão de Ordem não lhe deu o apoio necessário para que seu trabalho fosse honrado de maneira correta.

Sabe por quê? Simples. Faça uma pesquisa na internet agora. Acabei de fazer. Note o número de páginas relevantes. Vamos a alguns termos:

  • rider tarot: 655.000 resultados
  • waite tarot: 533.000 resultados
  • rider waite tarot: 482.000 resultados
  • rider waite smith tarot: 174.000 resultados
  • pamela colman smith tarot: 89.600 resultados

O que isso nos mostra? Que a maior relevância foi dada a quem publicou. Depois a quem idealizou, e, por fim, a quem ilustrou. Mesmo se somarmos os resultados das duas buscas que envolvem o nome da ilustradora, não chegamos a 14% do total de páginas na internet.

Deixo a você imaginar a razão disso. Talvez seja porque vivemos numa sociedade patriarcal na qual o papel da mulher acaba sendo relegado à esfera secundária, talvez seja por simples preconceito ou até desconhecimento…

Aí você procura por um tarot tradicional e encontra o tarot de Waite (incluindo o Tradicional de Waite e o Universal de Waite) e o tarot Rider-Waite com facilidade. Vai procurar por um tarot Rider-Waite-Smith e às vezes descobre que nem mesmo os fabricantes decidiram honrar o nome da ilustradora – tudo bem, isso foi retificado com edições comemorativas desse tarot, em especial a Pamela Colman Smith Commemorative Set, que, salvo engano, foi lançado em 2009, mas esperar um século para retificar um erro é muito tempo… Ainda mais numa Arte que não é tão antiga assim.

Em todo caso, replico aqui uma carta que encontrei na página da taróloga Mary K. Greer, escrita por Pamela Colman Smith ao seu mentor na área artística. O grifo, em vermelho, é meu:

Carta de Pamela Colman Smith

Em tradução livre, o trecho grifado diz: “Acabei de terminar um grande trabalho em troca de pouco dinheiro: um conjunto artístico de cartas para um tarot. 80 imagens. Devo enviar algumas das imagens originais, pois algumas pessoas podem gostar delas!

Sim, Pamela, algumas gostaram. E, por conta delas, tornaram-se tarólogos.

Gratidão.