O choro do cliente

9oSEu me lembro da primeira vez em que atendi uma cliente e vi seus olhos marejarem. Falávamos sobre amor (que mais poderia ser?) e o 3 de Espadas representando o momento atual e o Arcano XVI. A Torre como futuro deixava as coisas bem claras.

Quando revelei as cartas percebi o tamanho do problema. Era uma cliente que havia chegado por indicação, mas que estava extremamente fragilizada. Tudo na vida dela corria muito bem, exceto o casamento… que ia de mal a pior.

Mantive minha calma, diminui a velocidade e o tom da minha voz, e comecei a conversar olhando nos olhos dela. Os olhos marejados viraram lágrimas. As lágrimas se transformaram em pranto.

E eu deixei que o choro fluísse. Aquele era o momento dela, e ela precisava colocar tudo aquilo para fora.

Ao longo da leitura, em outras tiragens, lidamos com o problema e chegamos a possíveis caminhos para evitar A Torre. Ou, ao menos, diminuir o impacto do desmoronamento. Deu certo.

E, na consulta seguinte, três meses depois, ela já era outra pessoa, mais forte, mais preparada. Ainda com cicatrizes, mas seguindo em frente.
Mas o que isso rendeu como lição? Muita coisa. E agora vou partilhar um pouco disso com vocês.

Em primeiro lugar, procure manter a calma. Esteja ali para seu cliente, mas coloque-se como ouvinte naquele momento. Talvez seja só uma necessidade de ter uma válvula de escape, poder se expor sem ser julgado… Enquanto o silêncio não tornar as coisas piores, apenas esteja ali.

Se o choro começar, deixe que chore. Não queira impedir as lágrimas, nem tecer qualquer comentário (principalmente se o choro lhe deixar desconfortável, o que às vezes acontece). No máximo, ofereça um lenço de papel e deixe sua mão próxima, caso o cliente queira segurá-la para suportar melhor a crise.

Cabe a você decidir se deve ou não continuar com a leitura, mas se o fizer, repense as palavras que vai usar, pois algo mal colocado pode eliciar outro momento de pranto. Use sempre a verdade para lidar com seu cliente, mas escolha palavras mais doces.

Se a situação parecer complexa demais, indique um profissional da saúde mental. Psicólogos existem para lidar com isso, não tarólogos. Ter alguém para indicar sempre é bom (costumo ter telefones de advogados, clínicos-gerais e psicólogos comigo), pois são profissionais treinados para situações assim. Não tente agir no lugar deles, pois não é seu ramo de atividade.

E, finalmente, não carregue esse fardo consigo. Terminada a consulta, que as energias ali concentradas sejam dissipadas com o próximo embaralhar de cartas. Aquele pranto não era seu e nem deverá ser. Se achar necessário, medite, consulte-se com outro tarólogo, ou mesmo busque ajuda de um psicólogo para lidar com isso – ter empatia é fundamental, mas carregar o fardo dos outros é prejudicial demais.

Bem, essas são as minhas dicas para lidar com isso. E você, tem alguma para partilhar?

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