Técnica ou Intuição

IntuitiveAlgumas pessoas me perguntam sobre o uso da intuição no tarot. Dizem que conhecem várias pessoas que lidam com métodos intuitivos, que nunca estudaram nada e acabam por usar uma conexão com algo maior durante as tiragens.

E como fica a situação? Tarot é técnica ou é intuição?

Façamos uma analogia com a música. Há pessoas que conseguem tocar sem instrução formal, possuindo o dom da música (isso rende uma discussão futura), tocando de ouvido. Sua música é boa, soa bem. Mas coloque uma partitura diante delas e… nada acontece. Sem estudo da técnica, sem saber ler a partitura, aquelas bolinhas cheias ou vazadas, com hastes ou não, e um pequeno b em algum lugar da música ou uma hashtag (#) não significam muito.

Agora, entregue essa mesma partitura para alguém que tenha estudado por anos. Num instante, aquela linguagem simbólica em glifos antigos se torna som: torna-se música, torna-se encanto. E ter estudado, ter sido capaz de interpretar aqueles símbolos nas pautas, não tira a possibilidade de, caso haja inspiração, tocar algo de ouvido (até mesmo transcrevendo para uma nova partitura).

Voltemos ao tarot. Uma pessoa que tenha estudado, que conheça a técnica, é capaz de interpretar o simbolismo das lâminas. Ela é capaz de ver a sinergia entre as cartas em uma tiragem e oferecer a orientação adequada. As cartas não são misteriosas para ela, mas sim companheiras de uma longa jornada.

Uma pessoa que não tenha estudado o tarot, trabalhando somente com a intuição ou com mensagens recebidas de algo maior, não está interpretando as cartas. Veja, não estou dizendo que o que ela diz não tem valor ou que é errado: estou apenas afirmando que a interpretação das lâminas é algo secundário para ela, pois é sua intuição e seu canal de mensagens que atuam primordialmente. Isso tem validade? Se a pessoa trabalhar genuinamente com isso, sim – mas é muito mais fácil para alguém se passar por tarólogo dizendo que usa sua intuição (pois as respostas podem variar caso a caso) do que ao interpretar os símbolos (cada qual com seu significado).

Assim como um músico que estudou e usa sua técnica ao tocar algo e, eventualmente, pode florear a música com talento, um tarólogo que tenha estudado a técnica, que conheça o simbolismo das cartas, pode, eventualmente, ter insights e usar sua intuição para dar um novo rumo para uma orientação. Ele não deixa a técnica de lado, mas a complementa. Ele, ao interpretar as cartas, pode agregar algo mais, mas mesmo se não o fizer há embasamento em tudo o que ele diz.

Técnica, no tarot como na música, é fundamental. Talento se desenvolve com o tempo.

Depender apenas do talento sem ter a técnica limita o oraculista e o músico na mesma medida.

Há exceções? Há, sem dúvidas. Mas são exceções. Quando algo excepcional se torna regra, tem coisa muito errada ali…

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