Leituras com magia

SpellAcredito que você se lembra quando escrevi sobre a famigerada dúvida acerca de haver ou não uma maldição ou magia em efeito sobre o cliente e como maus profissionais exploram esse medo. Se não se lembra, dê uma olhada naquele artigo e depois continuaremos a conversar.

Pronto? Ótimo.

Numa conversa nesses últimos dias, uma amiga disse que chegou à conclusão de que minha opinião era que todo tarólogo que oferece uma alternativa mágica é uma fraude…

Calma lá! Não foi isso o que eu disse.

Explorar o medo de um cliente é uma coisa ruim. Prometer resolver algo que não tem solução é uma coisa ruim. Isso tudo gera um mau profissional.

Contudo, é preciso reconhecer o valor da ritualística e da magia! Ora, se não fosse assim eu não estaria trilhando um caminho mágico e não teria sido Iniciado em algumas Tradições… A questão é saber lidar com isso de maneira profissional.

Considere a seguinte alegoria:

Você vai a dois médicos e diz que tem dor nos rins.

  • O primeiro abaixa a cabeça, pega o receituário, anota o remédio que você precisa tomar, e encerra a consulta;
  • O segundo faz algumas perguntas acerca da dor, analisa onde está doendo, diagnostica de fato o que você tem, abaixa a cabeça, pega o receituário, anota o remédio que você precisa tomar, e encerra a consulta.

Qual dos dois médicos você prefere que lhe atenda?

Se você escolheu o segundo, então aplique isso às leituras de tarot também, oras! Se um cliente tem uma questão que precisa ser resolvida e eu percebo isso por meio da leitura, havendo algum tipo de magia que pode ser feita, eu faço a indicação. É impossível fazer um bom trabalho sem compreender a situação e, como tarólogo, minha ferramenta de trabalho é o tarot.

E aqui cabe um parênteses: quando falo magia, entenda isso em sentido amplo – pode ser um banho, um chá, um escalda-pés, uma vela, um verso, um amuleto ou patuá, ou mesmo uma mescla disso tudo. Até mesmo mudar o modo de encarar o mundo é uma postura mágica.

Além disso, se for seguir essa rota mágica, é preciso orientar o cliente sobre o que será feito. É direito do cliente (ele está pagando por isso!) saber a razão de determinado ingrediente num chá, ou o porquê de uma vela de certa cor, ou ainda o motivo de algo ser feito preferencialmente numa sexta-feira. Você não precisa esmiuçar os detalhes, mas é ético dizer o que envolve o investimento do cliente.

Uma vez uma cliente apareceu dizendo que queria uma magia para encontrar sua alma gêmea. Só queria isso, nada além. Eu disse que não poderia ajudá-la (Mas vocês, tarólogos, não ficam fazendo magia de amarração para todo mundo?). Expliquei que precisava estudar a questão por meio das lâminas antes de poder fazer qualquer uso de magia para ajudá-la.

A contragosto ela aceitou. Sabe qual era o problema? A cliente se autossabotava constantemente, o que impedia que qualquer relacionamento em que se envolvesse tivesse frutos.

Imagine se ela realizasse qualquer tipo de ritual para atrair o amor: simplesmente não daria certo depois de algum tempo por conta da constante autossabotagem.

Assim, o que fizemos foi empoderá-la para que ela passasse a tomar as rédeas da vida dela para seguir em frente, cortando laços de maneira consciente para que laços mais firmes pudessem surgir. Ao longo do processo, com o fim da autossabotagem, ela encontrou a pessoa com quem está até hoje.

Tarot e magia podem caminhar lado a lado. A questão é utilizá-los com ética e sabendo o que se faz.

E você, utiliza a magia em sua prática tarológica?

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