Pensando em Mabon

O equinócio de outono chega, e é nesse momento de equilíbrio que celebramos Mabon. Damos adeus ao calor do verão e caminhamos para a (bem-vinda e necessária) escuridão do inverno.

Quando pensamos nas religiões pagãs ocidentais, é comum as associarmos à transcendência — e, em contraste, as religiões “organizadas” têm como valor a imanência. — Tudo, então, em nossa prática sacerdotal, vai além: não é somente por nós, para nós, ou mesmo para quem temos contato direto — nosso caminho pavimenta a trilha com as pedras que servirão de apoio e guia para quem vier depois.

Assim, refletindo sobre Mabon e seu equilíbrio, sabendo que é uma jornada de decaimento (afinal, daqui a seis meses, em Ostara, teremos um novo equilíbrio rumo ao crescimento), penso em tudo o que se renova constantemente para nos manter como estamos… E nisso vejo o valor do sangue.

O sangue em nossas veias garante o equilíbrio do corpo — tanto é que qualquer desbalanceamento se torna muito perigoso — mas, assim como não nos banhamos duas vezes no mesmo rio, com a troca constante de nosso sangue (novas hemácias sendo produzidas a todo tempo) é possível dizer que nosso coração não bombeia duas vezes o mesmo sangue.

Assim, que neste Mabon eu permita que até meu sangue transcenda, servindo a quem precisa mesmo não o conhecendo…

E, num ato que se tornou sagrado, esse sacrifício de sangue agora é capaz de salvar muitas outras vidas: uma vez mais fiz minha doação de sangue.

2 thoughts on “Pensando em Mabon

  1. Que legal, Marcelo! 🙂 Tenho vontade de doar, mas estou bem em cima do limite mínimo de altura e peso, =/. Daí eu tenho medo de doar e passar mal/desmaiar depois (ainda mais levando em conta que minha pressão é um pouco baixa).

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