Qualidade das cartas brasileiras

Foto: Joedson Alves

Foto: Joedson Alves

Há cerca de um ano, encontrei uma caixa contendo um curso de tarot e um livro. Qual minha surpresa quando vi que havia também um tarot incluso, e não um qualquer, mas o Gilded, de autoria do Ciro Marchetti.

Fiquei curioso, pois eu conhecia as lâminas e não esperava vê-las num kit introdutório impresso no Brasil. Logo pedi a um vendedor se poderia abrir o kit para eu ver as cartas antes de adquiri-lo, o que ele prontamente fez.

E então, a decepção. As cartas, impressas em papel cartão, tinham os versos em branco e sem laminação. E pior: marcas de picotes podiam ser vistas em todas as cartas, como se tivessem sido destacadas ao invés de cortadas. Até o vendedor pareceu constrangido quando viu a qualidade daquilo.

Mas não foi a única vez que vi coisas assim. Compare o Tarô Mitológico (um dos meus primeiros, mas ainda vou falar sobre ele) publicado pela antiga Siciliano com o original. A versão brasileira (pelo menos minha edição antiga, da caixa amarela) possui também o verso em branco e sem laminação (mas, felizmente, sem marcas de picotes); a versão original (Mythic Tarot) possui um verso simples mas sóbrio, e é todo com laminação fosca – isso representa um cuidado maior com as cartas, e aumenta a durabilidade delas.

Mas por que essa diferença? Por acaso quando licenciaram a tradução para produzirem aqui a única coisa não licenciada foi o verso das cartas? Não, a questão me parece de custo: imprimir algo usa tinta e isso não é barato (o pessoal do meio editorial sabe bem disso), assim como ter uma faca de corte, ou laminação. Consequentemente, escolhem apresentar um produto com qualidade inferior ao invés de investirem naquilo que será a ferramenta de trabalho de alguns.

Houve evolução quanto ao passado? Sim. O tarot de Marselha que meu avô me deu parece impresso em cartolina (e também não tem laminação, embora tenha verso). O antigo Tarot das Bruxas, que continha apenas os Arcanos Maiores, e era publicado pela Alemdalenda, não possuía laminação…

Mas em que isso acarreta? Como a qualidade das cartas importadas acaba sendo melhor, quando um dos meus alunos me questiona o que comprar, eu acabo recomendando um tarot da Lo Scarabeo (que possui alguns tarots em português), da Llewellyn ou mesmo da Heraclio Fournier. É ruim não poder recomendar alguns produtos de editoras nacionais, pois sei o quão difícil é se manter no meio editorial no país, mas não posso fechar meus olhos para a realidade: em geral, a qualidade das cartas brasileiras deixa a desejar.

É claro que algumas exceções existem (para confirmar a regra), e isso é muito bom. Algumas editoras estão começando a se esmerar na produção, e mesmo algumas arriscam um material diferenciado, como PVC, nas cartas. Tais iniciativas devem ser aplaudidas e apoiadas, pois isso ajuda a trazer mais material de qualidade para o país.

E vocês, têm algum tarot nacional que poderia ter sido melhor impresso?

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