Silver Witchcraft Tarot – Opiniões

swt_oQuando vi o catálogo de 2014 da Lo Scarabeo, com destaque nas primeiras páginas para o Silver Witchcraft Tarot, fiquei hipnotizado. As cartas eram lindas, e a premissa ainda melhor: como um tarot de temática pagã, ele poderia substituir meu Book of Shadows volume 1 (de autoria também de Barbara Moore).

Mas eu hesitei. Estava na Mystic Fair e ainda havia muito a ver por lá, então não o comprei na primeira oportunidade. Como era de se esperar, ao retornar ao estande que comercializava tarots não o encontrei mais.

Retifiquei o erro na Mystic Fair do ano passado. Um dos meus focos era encontrar esse tarot (outro era comprar uma estatueta da Deusa Ellen, mas isso é papo para outra ocasião). Fiz mais algumas comprinhas, é claro, mas a missão havia sido cumprida.

Mas talvez por conta daquela ideia de que o melhor da festa é esperar por ela, ao admirar cada uma das lâminas meu entusiasmo diminuiu um pouco. Sim, muitas delas eram incrivelmente belas, mas outras… bem, digamos que eu esperava mais.

O Silver Witchcraft segue a tradição Rider-Waite-Smith, mas com algumas singelas reinterpretações que podem não ser tão claras à primeira vista – não tive acesso ao livro que acompanha as lâminas (apenas ao pequeno livreto branco), pois adquiri somente a versão básica, não o kit completo -, mas nada que algum tempo de contemplação não resolvesse. Como todos os tarots da Barbara Moore, sempre há algo mais nas entrelinhas das cartas do que se percebe logo de cara.

Usei já esse tarot algumas vezes, e a afinidade passou a crescer… Não é meu favorito, ocupando um lugar de meio-termo ainda. Acredito que o tempo ajude a definir o papel desse tarot na minha vida.

Separei algumas cartas para que vocês o conheçam mais (foto delas ilustra esta postagem):

O Louco: Um eclipse solar, uma trilha no campo que leva a uma grande árvore onde alguém aguarda por você. Não há o abismo iminente que se vê no RWS, mas todos os augúrios parecem mostrar que se caminha rumo ao desconhecido em termos físicos (o caminho) e simbólicos (o eclipse).

XIII. A Morte: Sobre um altar, uma lagarta, um tecido (uma capa?) e uma borboleta. A imagem da transformação se faz evidente, mas a lua surgindo entre as montanhas revela que nem sempre essa transformação é consciente.

XV. O Diabo: Sobre um cubo de pedra (há vários desses nos Arcanos maiores) há uma janela mostrando uma árvore. Da janela pendem duas correntes. De alguma maneira, porém, isso me remete mais a um espelho do que a uma janela, dizendo para mim mesmo que somos nós quem nos aprisiona.

XVI. A Torre: Diante de um cubo de pedra (eu disse que havia vários) há uma árvore com um pássaro num ninho e outro voando. Além da árvore um raio corta o céu. Sinto falta desse raio atingir a árvore e mostrar a ruína, mas talvez o fato do impacto ainda não ocorrer (mas estar próximo) mostre que tudo isso é iminente.

6 de Paus: Um casal que acaba de passar por uma cerimônia de handfasting é saudado por outros. A ideia das honras recebidas casa muito bem com essa cerimônia tão significativa.

5 de Copas: Uma sacerdotisa apaga três velas com um sopro enquanto outras duas ainda estão acesas. Ao invés do velho chorar pelo leite derramado que o RWS evoca, aqui há a finalização de algum ritual ou magia… Mas sem tristeza, sem remorso, sem nada que indique um sentimento de algo irrecuperável ter sido perdido.

No geral, é um belo tarot, com um acabamento prateado nas bordas das cartas que o torna mais bonito. Aqueles cubos de pedra me incomodam um pouco, mas é possível viver com eles.

Recomendado para quem:
-tem sintonia com a temática pagã
-quer um RWS que não seja um clone do RWS
-gosta do estilo da Barbara Moore

Não recomendado para quem:
-prefere algo estritamente tradicional
-não suporta os cubos encontrados em alguns Arcanos Maiores
-acha que a camada prateada nas bordas das cartas não serve para nada esteticamente

Silver Witchcraft Tarot
Criado por Barbara Moore
Publicado por Lo Scarabeo, 2014
VIII Força, XI Justiça

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