The Chronicles of Destiny Fortune Cards

20160520_200545Quando li acerca de The Chronicles of Destiny Fortune Cards fiquei extasiado. Como oraculista e escritor, a ideia de usar a essência das histórias – em outras palavras: o Monomito, ou a Jornada do Herói – me pareceu tentador demais. Contudo, mesmo tendo sido lançado em 2014 pela Schiffer Publishing, só recentemente ele chegou às minhas mãos.

A caixa é como a de um livro, e possui um bom espaço para guardar as 60 cartas e um belo livreto explicativo com 176 páginas coloridas. Mas, enquanto eu me deliciava com as imagens das lâminas, tive um revés: uma das cartas veio duplicada, mas outra estava faltando.

De pronto enviei uma mensagem para a editora, que imediatamente se prontificou a enviar uma substituta. Isso foi algumas semanas atrás…

…e hoje ela chegou. Tenho muito que recomendar o atendimento ao cliente da Schiffer Publishing por conta disso.

Diferentemente de um tarot, oráculos possuem significados próprios para suas lâminas – enquanto todo 7 de Paus é um 7 de Paus em qualquer tarot, aqui os símbolos são outros… E que símbolos!

As cartas possuem imagens fotomanipuladas, no estilo do Dark Fairytale Tarot, e minha primeira impressão é que os dois poderiam se complementar muito bem. Diferentemente daquele, nenhum ícone pop foi usado como modelo, então a imersão é bem maior.

Ainda estou degustando esse oráculo, precisando recorrer ao livro com frequência. Porém, vislumbro que isso mudará logo, pois é bastante intuitivo: a imagem das cartas evocam mesmo aquilo que querem dizer.

Falando das cartas, o verso não é reversível (e as próprias autoras – Josephine e Emily Ellershaw – dizem que não são feitas para serem lidas com outro significado que não o apontado), mostrando a face de uma mulher ladeada por dragões, como uma espécie de medusa divina, com uma lua cheia acima e uma escada abaixo. A imagem é serena e evoca um sentimento de reverência.

Já a frente das lâminas apresenta a imagem ocupando quase toda a carta, possuindo uma fina borda preta e o título da carta na parte de baixo, junto com seu número.

As cartas, seguindo a progressão numérica, contam uma história. Ter familiaridade com essa narrativa ajuda bastante a interpretar seus significados, e isso vai demandar mais de uma leitura. Felizmente o livreto é claro e a história, por mais que contenha os clichês do Monomito, é contada de uma maneira bastante singular.

Outro fato interessante acerca desse oráculo é a presença de cartas representativas do próprio buscador (ou consulente). Existem cartas de Herói e Heroína, e suas variantes – Herói 2 e Heroína 2. – As instruções são bastante claras ao afirmar que um Herói representa o buscador, se ele se identificar com o sexo masculino, ou um interesse romântico de uma buscadora que se identifique com o sexo feminino (e vice-versa). Já quanto ao Herói 2 (e isso se aplica à Heroína 2), o livreto indica que ele pode ser usado em substituição ao Herói, mas sinto-o de maneira diferente: ele indica a Sombra do Herói (ou um interesse romântico de um buscador que se identifique com o sexo masculino e seja homossexual). Mas essa é apenas minha interpretação. – ainda assim, é interessante ver como esse oráculo interpreta a figura do Significante (que seria a carta de tarot que identifica o próprio consulente).

Algumas das cartas que me chamam a atenção:

9. Accepting the quest: uma mulher empunhando uma espada, pronta para encarar seu desafio.
10. The Adventure: uma mulher, de costas para o observador, prestes a atravessar um portal; ela parece diminuta perto dos livros que a cercam.
29. The Gatekeeper: uma mulher está diante de um arco em forma de fechadura, como se esperasse pelo observador.
39. Resolve: um homem, em pé, diante de uma fogueira, empunha uma espada.
42. Victory: o mesmo homem tem sua espada imbuída com um poder flamejante e se porta como se acabasse de desferir o golpe final.
54. Mastery: uma mulher, em meio a folhas e chamas, encara o observador como se pudesse ver através de sua essência primal.

Realmente é um oráculo maravilhoso, mas que pode ter imagens mais escuras do que o esperado… As histórias que conta, eu lhes digo, não são as dos contos de fadas, mas as nossas próprias narrativas.

Recomendado para quem:
-gosta de histórias
-gosta de imagens fotomanipuladas
-está disposto a compreender um sistema de significados diferentes

Não recomendado para quem:
-prefere o tradicionalismo dos outros oráculos
-gosta mais de desenhos do que fotos
-busca algo pautado por alguma tradição histórica ou iniciática

Post-scriptum: o pingente de chave que vocês veem na foto foi adquirido durante a última Convenção de Bruxas e Magos de Paranapiacaba, das mãos de Graça e Martinho Escultura em Joia – foi paixão à primeira vista, e faz de mim também um Gatekeeper (veja a imagem da carta e entenda o que quero dizer) – recomendo muito o trabalho deles.

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