Barbieri Tarot

Paolo Barbieri é um mestre ilustrador italiano cujo trabalho conheci na literatura fantástica, abrilhantando diversas capas de livros. Ao saber da existência de um tarot ilustrado por ele, achei que seria uma boa inclusão em minha coleção.

Contudo, esse não é um tarot cujas imagens foram criadas especificamente para esse fim. Como um tarot artístico, ele tenta encaixar o trabalho pré-existente de Barbieri nos Arcanos, às vezes forçando a mão ao fazer isso. Isso, consequentemente, afasta parte do simbolismo tradicional das cartas e, confesso, às vezes me sinto como se interpretasse um Tarot de Marselha, tendo de atribuir o significado ao número e ao elemento do Arcano Menor ao invés de me fiar apenas na imagem arquetípica da carta.

E é esse o ponto: por mais belas que sejam as cartas, elas não têm a essência do arquétipo nelas, o simbolismo tradicional. Some-se a isso o fato de que boa parte das cartas são apenas representações de uma pessoa estática, e não parte de uma cena, e aí temos um tarot visualmente lindo mas que pode trazer dificuldades quando interpretado por um neófito.

Mas, apesar do que eu disse anteriormente sobre como me sinto ao interpretá-lo, ele segue a tradição de Rider-Waite-Smith, e possui o verso reversível (contendo a imagem usada no Arcano X. A Roda da Fortuna). Ainda assim, não existe uma correlação direta entre a imagética usual e a escolhida, muitas vezes faltando elementos tradicionalmente essenciais nas cartas. Vejam vocês algumas das minhas escolhas para que compreendam isso (foto delas ilustra esta postagem):

III. A Imperatriz: Uma guerreira com uma lança olha para a esquerda, lado tradicionalmente associado ao passado. Foi-se aí a imagem esperada de uma mulher grávida, colocando ativamente nas mãos da Imperatriz a força para criar através do conflito.

XI. A Força: Se você não tem acesso ao livreto, e não dá uma olhada na imagem do Arcano VIII, pode muito bem pensar que essa imagem se refere à Justiça. É um retrato muito bonito, usado como capa de um dos livros das Crônicas do Mundo Emerso, mas não remonta nem à Força nem à Justiça. Talvez a personagem lembre as características d’A Força, mas como não li ainda os livros de Licia Troisi, não tenho como fazer juízo de valor — e, mesmo que remetesse, esperar que o tarólogo tenha afinidade com a ficção é algo complicado.

2 de Ouros: Diante de um portão semi-aberto, iluminado, uma guerreira traz uma espada aos ombros. Sinto falta daquela sensação de ter de lidar com várias coisas ao mesmo tempo, tradicional nesse Arcano. Aqui existe até um ar de serenidade, de espera.

4 de Paus: Um homem parece pensativo, olhando para o vazio. Parece-me mais uma representação de uma estátua clássica, por conta da pose, do que outra coisa. Novamente é uma imagem belíssima, mas foge ao que estamos acostumados a ver num tarot RWS.

7 de Espadas: Uma figura feminina envolta em tentáculos, evoca o prazer na situação em que está envolvida. Talvez, com certa boa vontade, seja possível ver a fuga da responsabilidade e a busca pelo caminho mais fácil nessa imagem, mas não é o que a primeira impressão causa.

8 de Paus: Uma criatura com torso de mulher e parte inferior do corpo de aranha segue resoluta. Falta-me visão para entender aqui onde está a rapidez das ações e da conclusão imediata esperada. É uma carta muito bonita, mas obriga o tarólogo a buscar a interpretação fora da imagem.

Recomendado para quem:
-gosta de tarots artísticos
-não se preocupa com associar a imagem de uma carta diretamente ao seu significado
-quer algo mais belo do que funcional

Não recomendado para quem:
-deseja um tarot com imagens de inspiração tradicional
-está começando a estudar o tarot
-prefere uma associação direta entre a imagem e o simbolismo de cada Arcano

Barbieri Tarot
Criado por Paolo Barbieri
Publicado por Lo Scarabeo, 2015
VIII Justiça, XI Força

Bate-papo com o Barbieri Tarot

1. Quem é você?
X. A Roda da Fortuna.
Sou aquele que traz a mudança, que lembra que dias melhores sucederão os ruins, mas que o ciclo inevitável segue a ponto de trazer as dificuldades novamente. Não sou inconstante, mas tenho orgulho do meu próprio caos.

2. Quais são seus pontos fortes?
9 de ouros.
Luxo, riqueza, deleite. Lido com todas essas coisas de uma maneira bem clara, não me escondendo atrás de uma pretensa humildade.

3. Quais são os pontos que precisa melhorar?
3 de ouros.
Meu caminho é singular e tenho dificuldade em trabalhar em equipe. Isso inclui você, como tarólogo. Entenda que provavelmente entraremos em conflitos que precisarão de tempo para resolvermos.

4. Que tipo de leituras prefere fazer?
9 de copas.
Gosto de trazer a felicidade a quem busca meu auxílio. Quero despertar a emoção, fazer surgir o sorriso, quero que a pessoa que vem a mim se sinta contente com o resultado.

5. Como você vai me desafiar?
XIV. A Temperança.
Como vamos equilibrar as coisas? Você precisa me decifrar, e sabe que não farei dessa uma tarefa fácil, ao mesmo tempo em que precisa lidar com o consulente diante de você. Onde está seu equilíbrio? Sua justa medida? Testar esse limite será deveras interessante.