Bênçãos de Samhain

Fui convidado pela Rainha dos Mortos a compartilhar de sua bebida, e o fiz. Meus olhos encontraram os seus e, enquanto sorvia o amargo líquido, vi a revoada de corvos atrás dela. Naquele momento, éramos iguais na jornada.

Isso pode resumir um pouco do que foi meu Samhain, celebrado junto da Ordem Druídica Ramo de Carvalho na maravilhosa Vila de Paranapiacaba (palco da XIV Convenção de Bruxas e Magos, e também do VIII Encontro Brasileiro de Druidismo e Reconstrucionismo Celta — vocês vão, não é?).
Depois, já de volta, fiz meu próprio rito pessoal de Samhain, sob a chama que ilumina os dias frios do inverno que se aproxima, anunciando a vinda da Cailleach, aproveitei para uma série de leituras auspiciosas nesse momento em que o véu é tão fino entre os mundos.

E, aproveitando, compartilho com vocês uma tiragem específica para este período.

Leitura para Samhain

Esta é uma tiragem de seis cartas, lidando com o Mundo Superior e o Mundo Inferior. As cartas devem ser dispostas da seguinte maneira:

3 – 1 – 5
4 – 2 – 6

1. Vida: o que receber neste momento?
2. Morte: o que deixar para trás?
3. Minha coragem: o que me dá forças neste momento?
4. Meu medo: o que preciso enfrentar?
5. Celebrar: pelo que devo ser grato?
6. Contemplar: sobre o que devo meditar neste momento?

Tradições místicas e o Todo

Estava relendo um livro antigo, isso me levou a outras releituras, e, por fim, acabei voltando à Tábua de Esmeralda, numa tradução feita por Sir Isaac Newton. Transcrevo aqui minha versão dessa tradução, para chamar a atenção de um ponto interessante:

É verdade, certo e muito verdadeiro:
O que está em baixo é como o que está em cima e o que está em cima é como o que está em baixo, para assim realizar os milagres da coisa única.
E assim como todas as coisas vieram do Um, assim todas as coisas são únicas, por adaptação.

No livro Tarot: a chave da sabedoria (cuja campanha de financiamento coletivo vai começar dia 1º de março de 2017), discorro um pouco sobre os números, em especial para explicar os Arcanos Menores do tarot. Mas o ponto que gostaria de discutir hoje foi aquele que grifei: a coisa única.

Sabe por quê? Bem, eu falei de releituras, não? Um dos livros foi The Hidden Church of the Holy Grail, cujo autor é um velho conhecido nosso no mundo do tarot: Arthur Edward Waite. E esse livro, coincidentemente, foi lançado no mesmo ano em que o nosso querido tarot RWS foi editado. Só uma coincidência, certo?

Vamos ao trecho que me chamou a atenção (novamente, em uma versão rústica minha do original, em inglês):

Ao falar da Tradição Secreta, as iniciações são muitas, tantas quantas as Escolas de pensamento, mas aquelas que são verdadeiras Escolas e aquelas que são grandes Ordens parte de uma única raiz. Est una sola res, e aqueles cujos corações de contemplação estão focados nessa coisa única podem discordar, mas nunca completamente.
*Est una sola res: é uma coisa única

Tradições místicas, grandes Ordens, filosofias ancestrais… Tudo e o Todo: não importa o que sejam, no fim das contas, são uma coisa única.

Assim, pensando na nossa responsabilidade como tarólogos, isso nos leva a refletir sobre nossa jornada: afinal, aquilo que queremos alcançar, em suma, é o Arcano XXI. O Mundo — É esse o Arcano da coisa única.

Já se preparou para o próximo curso?

Curso: Tarot para os Esbats

Quando? 10/6/2016, às 20h
Onde? Casa de Bruxa – Rua das Figueiras, 2146 – Santo André-SP – (11) 4994-4327
Conteúdo: O que é o tarot? (10min) · Quem é a Deusa? (20min) · A Donzela – lua crescente – ritual e tiragem (30min) · A Mãe – lua cheia – ritual e tiragem (30min) · A Anciã – lua minguante – ritual e tiragem (30min)
Investimento: R$ 70,00.

Esse é um curso voltado tanto para a parte ritualística (com magias) como para o autoconhecimento. Os Esbats, celebrações de cada uma das fases da lua, possuem uma energia fantástica que pode ser usada em conjunto com suas práticas com o tarot.

Palavra mágica

hocuspocusHocus pocus! Sinsalabim! Precisamos de foco! Magia para você e para mim!

Sim, eu sei que a rima ficou horrível. Pode criticar à vontade nos comentários.

O tema de hoje é palavra mágica e, com isso, sugiro a você que pense como você quer que seja este ciclo atual em que está vivendo. Para alguns, isso significa este ano de 2016, para outros, o ano pessoal (que começa no aniversário)…

Essa palavra mágica vai servir como inspiração ao longo do ciclo. Pense naquilo que você quer alcançar e reduza isso a uma simples palavra – resista a ideia de usar uma frase: uma palavra precisa bastar. – Se for o caso, utilize a sua carta pessoal neste ciclo para definir o foco da sua palavra, mas encontre uma que se adeque ao que você deseja verdadeiramente.

Uma vez decidido, escreva essa palavra diversas vezes. Se você tem um diário tarológico, anote sua palavra mágica no rodapé ou no cabeçalho das páginas. Mude o papel de parede do seu computador e do seu smartphone para algo que contenha a palavra. Escreva bilhetinhos com a palavra e coloque em alguns bolsos para que você encontre depois casualmente…

Toda vez que você estiver com problemas ou passar por uma situação complicada, lembre-se desta palavra neste ciclo e veja como ela pode ser aplicada para trazer seu foco de volta.

Para mim, por conta de ser um Ano do Hierofante, minha palavra é ensino. Este blog é a prova disso, assim como as muitas aulas que tenho dado. Quando me pego sem inspiração, lembro da minha palavra mágica e me pergunto: o que eu posso ensinar hoje?

Isso tem me ajudado bastante. Acredito que também ajude você.

Qual sua palavra mágica?

Leituras com magia

SpellAcredito que você se lembra quando escrevi sobre a famigerada dúvida acerca de haver ou não uma maldição ou magia em efeito sobre o cliente e como maus profissionais exploram esse medo. Se não se lembra, dê uma olhada naquele artigo e depois continuaremos a conversar.

Pronto? Ótimo.

Numa conversa nesses últimos dias, uma amiga disse que chegou à conclusão de que minha opinião era que todo tarólogo que oferece uma alternativa mágica é uma fraude…

Calma lá! Não foi isso o que eu disse.

Explorar o medo de um cliente é uma coisa ruim. Prometer resolver algo que não tem solução é uma coisa ruim. Isso tudo gera um mau profissional.

Contudo, é preciso reconhecer o valor da ritualística e da magia! Ora, se não fosse assim eu não estaria trilhando um caminho mágico e não teria sido Iniciado em algumas Tradições… A questão é saber lidar com isso de maneira profissional.

Considere a seguinte alegoria:

Você vai a dois médicos e diz que tem dor nos rins.

  • O primeiro abaixa a cabeça, pega o receituário, anota o remédio que você precisa tomar, e encerra a consulta;
  • O segundo faz algumas perguntas acerca da dor, analisa onde está doendo, diagnostica de fato o que você tem, abaixa a cabeça, pega o receituário, anota o remédio que você precisa tomar, e encerra a consulta.

Qual dos dois médicos você prefere que lhe atenda?

Se você escolheu o segundo, então aplique isso às leituras de tarot também, oras! Se um cliente tem uma questão que precisa ser resolvida e eu percebo isso por meio da leitura, havendo algum tipo de magia que pode ser feita, eu faço a indicação. É impossível fazer um bom trabalho sem compreender a situação e, como tarólogo, minha ferramenta de trabalho é o tarot.

E aqui cabe um parênteses: quando falo magia, entenda isso em sentido amplo – pode ser um banho, um chá, um escalda-pés, uma vela, um verso, um amuleto ou patuá, ou mesmo uma mescla disso tudo. Até mesmo mudar o modo de encarar o mundo é uma postura mágica.

Além disso, se for seguir essa rota mágica, é preciso orientar o cliente sobre o que será feito. É direito do cliente (ele está pagando por isso!) saber a razão de determinado ingrediente num chá, ou o porquê de uma vela de certa cor, ou ainda o motivo de algo ser feito preferencialmente numa sexta-feira. Você não precisa esmiuçar os detalhes, mas é ético dizer o que envolve o investimento do cliente.

Uma vez uma cliente apareceu dizendo que queria uma magia para encontrar sua alma gêmea. Só queria isso, nada além. Eu disse que não poderia ajudá-la (Mas vocês, tarólogos, não ficam fazendo magia de amarração para todo mundo?). Expliquei que precisava estudar a questão por meio das lâminas antes de poder fazer qualquer uso de magia para ajudá-la.

A contragosto ela aceitou. Sabe qual era o problema? A cliente se autossabotava constantemente, o que impedia que qualquer relacionamento em que se envolvesse tivesse frutos.

Imagine se ela realizasse qualquer tipo de ritual para atrair o amor: simplesmente não daria certo depois de algum tempo por conta da constante autossabotagem.

Assim, o que fizemos foi empoderá-la para que ela passasse a tomar as rédeas da vida dela para seguir em frente, cortando laços de maneira consciente para que laços mais firmes pudessem surgir. Ao longo do processo, com o fim da autossabotagem, ela encontrou a pessoa com quem está até hoje.

Tarot e magia podem caminhar lado a lado. A questão é utilizá-los com ética e sabendo o que se faz.

E você, utiliza a magia em sua prática tarológica?